Batatinha (Solanum tuberosum L.)

Pragas e Doenças da Batatinha no Estado da Paraíba

Flávio Tôrres de Moura - Eng. Agrôn,, Difusão de Tecnologia, SAIA/Emepa
Ivanildo Cavalcanti de Albuquerque - Eng. Agrôn., Fitossanidade, Emepa
Edson Batista Lopes - Eng. Agrôn., M.Sc. Fitopatologia, Embrapa/Emepa
Joaquim Efigênio Maia Leite - Biológo, M.Sc. Entomologia, SAIA/Emepa
José Ivan Tavares Grangeiro - Eng. Agrôn., Interpa/Emepa

Introdução

A batata ou batatinha (Solanum tuberosum L.) é uma das principais hortaliças cultivadas no Estado da Paraíba, em função do seu alto valor nutritivo e da importância socioeconômica que representa quando comparada com outras hortícolas.
Um dos obstáculos no sucesso desta cultura é o elevado número de pragas e doenças que inviabiliza o seu cultivo, levando o bataticultor a aplicar uma gama de defensivos, na maioria das vezes desnecessários, aumentando assim o custo de produção e poluição ambiental.
Com o objetivo de solucionar a situação, cultivando uma batatinha mais orgânica, a Emepa torna disponível esta publicação sobre as principais pragas e doenças, buscando, assim, alternativas eficazes de controle, alta produtividade, redução no uso de agrotóxicos não registrados para a cultura e o impacto ambiental, desta forma, contribuindo para o agricultor praticar uma atividade agrícola mais lucrativa, competitiva e afastar definitivamente a aversão ao produto, em conseqüência do estigma de que a batatinha só pode ser produzida com muitas aplicações de venenos.

Doenças da Batatinha no Estado da Paraíba

Viroses (PLRV e PVY)


Controle:
Evitar o plantio de batata-semente oriunda de lavouras onde foi diagnosticada a presença de vírus. Fazer a seleção da batata-semente, destinada ao plantio, optando-se por tubérculos de plantas isentas de vírus. Usar no plantio, batata-semente certificada ou fiscalizada. Controlar os insetos vetores de vírus, como pulgões, e outros insetos vetores. Realizar o “rouging” semanalmente, retirando do cultivo plantas suspeitas de vírus.

Requeima: (Phytophthora infestans Mont de Bary)


Controle:
Temperaturas baixas e alta umidade relativa principalmente à noite são fatores climáticos que indicam o aparecimento da requeima. Quando isto ocorrer, aplicar preventivamente a cada sete dias, fungicidas específicos como: Metalaxyl (Ridomil) e Chlorothalonil (Dacostar 750 PM) alternadamente.

Murchadeira ou Murcha-Bacteriana (Ralstonia solanacearum)


Controle:
Usar no plantio, batata-semente certificada ou fiscalizada. Evitar plantar a batatinha em solos reconhecidamente infectados com a murchadeira. Arrancar da lavoura todas as plantas com sintomas de murcha e queimá-las fora da área de cultivo.

Canela-Preta e Podridão-Mole (Erwinia carotovora Jones Bergey e Holland e Erwinia Var. Atroseptica Van Hall Dye)


Controle:
Condições climáticas em dias de temperatura elevada e alta umidade relativa são fatores favoráveis ao aparecimento da doença. Plantas atacadas exibem hastes moles e enegrecidas. O controle é basado na aplicação de fungicidas cúpricos como Oxicloreto de cobre (Cupravit verde, Cupravit azul, etc) ou Iprodione (Rovral) intercaladamente a cada sete dias.
Pinta-Preta ou Mancha-de-Alternária (Alternaria solani Ell. & Mart. Jones & Grot)


Controle:
Temperaturas e umidades relativas elevadas favorecem o aparecimento da doença. Necroses concêntricas no centro dos folíolos de folhas mais velhas são indícios do ataque da pinta preta. O controle deve ser iniciado logo após o aparecimento dos primeiros sintomas. Aplicar a cada sete dias, fungicidas específicos como Tebuconazole (Folicur PM) e Chlorothalonil + Oxicloreto de Cobre (Dacobre PM) intercaladamente.

Sarna-comum (Streptomyces scabies Thart Works & Enrici)


Controle:
Usar no plantio batata-semente certificada ou fiscalizada. Evitar o plantio em áreas que comprovadamente tenha ocorrido a doença. Fazer a correção do pH do solo exigida pela cultura antes do plantio. No preparo do solo, aplicar o esterco de curral o mais profundo possível, para evitar o contato com a batata-semente. Fazer rotação de cultura. Nunca realizar o plantio em solos reconhecidamente salinizados bem como o uso de água de irrigação com teor de sais elevados.

Rizoctoniose (Rizoctonia solani Kuhn)


Controle:
Usar no plantio batata-semente certificada ou fiscalizada. Caso o produtor produza a sua própria semente, tratá-la com produtos a base de Thiabendazol. Realizar o preparo do solo 60 dias antes do plantio. Fazer pulverização com fungicida Iprodione direcionado ao colo da planta, quando esta apresentar boa rigidez, antes da primeira amontoa. Realizar rotação de cultura com espécies não hospedeira da doença como exemplos, milho e mandioca.

Advertência:
  • Usar o equipamento de proteção individual (EPI) quando do manuseio de defensivos agrícolas.
  • Seguir rigorosamente a dosagem recomendada pelo fabricante.
  • Fazer correção do Ph da água de acordo com o Ph exigido pelo produto.
  • Obedecer rigorosamente o período de carências dos defensivos.
  • Não misturar produtos sem antes consultar um técnico.

Pragas da Batatinha no Estado da Paraíba

Paquinha ou Cachorro-D’água (Gryllotalpa hexadactyla Perty, 1832)


Controle:
a) Colheita dos tubérculos logo após o secamento das folhas e hastes da planta.
b) Uso de iscas tóxicas entre as fileiras de plantas logo após a emergência das mesmas, na proporção de 15 g/m linear.
Fórmula da Isca tóxica:
Ingredientes:
100 kg de Xerém de Milho ou Farelo de Trigo
1 Litro Dipterex 500 Ce ou Folidol 600 Ce
1 Litro Açúcar comum
10 Litros água.
Preparo:
Misturar Água + Açúcar + Defensivo até ficar totalmente homogênea e, posteriormente, ser aplicada, com auxílio de um pulverizador costal, sobre a camada de xerém de milho ou farelo de trigo. Deixar secar totalmente, tornando-se pronta para o uso; recomenda-se que a quantidade a ser preparada, seja para uso imediato, para desta forma evitar acidentes com pessoas ou animais domésticos.
Colocar 1 litro de querosene em 100 litros de água, agitar a mistura para que fique mais homogênea possível e aplicar sobre o solo, quando os primeiros danos da praga surgirem.

Lagarta-Rosca (Agrotis ipsilon Hufnagel, 1776)


Controle:
a) Não consorciar com milho, feijão ou culturas que sejam hospedeiras desta praga.
b) Uso de inseticida biológico Bacillus thunringiensis, logo após a eclosão das larvas ainda nas folhas.
c) Uso de produtos químicos registrados para a cultura como Triclofon (dipterex); Cartap,
d) Deltamethrine (Decis), aplicados com o bico do pulverizador direcionado para o colo da planta.
e) Uso de iscas tóxicas com as mesmas concentrações e forma de aplicação, recomendada para o cachorro D’Água.

Mandarová-do-Fumo (Manduca sexta paphus Cr.)


Controle:
a) Introdução de inimigos naturais como Apanteles sp e preservação de outras espécies que ocorrem naturalmente na zona produtora de batata como Poliestes sp. (Maribondo Cabloco) e cavalo do Cão.
b) Uso de inseticidas biológicos Bacillus thunringiensis quando as larvas estiverem medindo 0,5 – 1,0 cm de comprimento ou uso de inseticidas a base de Deltamethrine (Decis), Triclorfon (Dipterex).
c) Eliminação de plantas daninhas da família solanácea próxima à área de cultivo da batatinha, que possam servir como plantas hospedeiras.


Lagarta-dos-Milharais (Spodoptera frugiperda J. E. Smith, 1797)


Controle:
a) Evitar plantios próximos ou consorciados com milho.
b) Aplicação de inseticidas biológicos a base de Bacillus thunringiensis.
c) Preservar os inimigos naturais que naturalmente ocorre na lavoura como Polistes sp. (Maribondo cabloco) e percevejos da família Pentatomidae.
d) Os produtos químicos triclorfon (Dipterex), Deltamethrine (Decis), Betacyflutrin (Turbo), apresentam controle eficiente desta praga.


Patriota ou Larva-Alfinete (Diabrotica speciosa Germar, 1824)




Controle:
Esta praga, no estágio adulto, causa poucos danos à cultura da batatinha, porém, no estágio de larva seus danos são bastante significativos reduzindo o valor comercial dos tubérculos. Os produtos recomendados para seu controle são Deltamethrine (Decis); Clorpirifos (Astro); Betacyflutrin (Turbo).


Bicho-Bolo ou Pão-de-Galinha (Dyscinetus planatus e Lygirus spp BURM., 1847)


Controle:
Após a distribuição do esterco de curral na cama do leirão, realizar tratamento com inseticidas carbamato, Ethoprophos e Forato, como medida preventiva de controle, pois, os materiais usados para adubação orgânica, geralmente, contem insetos adultos e ate mesmo larvas, podendo comprometer a batata-semente.



Pulgões (Macrosiphum euphorbiae Thomas, 1778 e Myzus Persicae Sulz., 1776)


Controle:
Preservar os inimigos naturais como: Joaninha (Cycloneda sanguinea) e Bicho-Lixeiro (Crysopa sp.), usando inseticidas seletivos.
Eliminar todas as plantas nativas pertencentes à família Solanácea, que esteja próximo à área de cultivo, para não servir de hospedeiro.
Não cultivar batata em solos que anteriormente foi cultivado com culturas como tomate, pimentão, jiló ou berinjela, pois estas são hospedeiras de afídeos.
Periodicamente realizar leituras e quando a infestação atingir 30 pulgões ápteros, contados em 100 folhas de batatinha escolhida ao acaso, realizar pulverizações com produtos a base de Pirimicarbi (Pi-Rimor) / Imida cloprid (confidor e Provado).


 

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