Estação Experimental de São Gonçalo
Estação Experimental de São Gonçalo
CEP 58803-000 Sousa, PB.
Localização e Caracterização da Área
A Estação Experimental de São Gonçalo está posicionada nas coordenadas 06º 45' 39" S e 38º 13' 51" W.Gr., com altitude média de 223 m. Está localizada no Perímetro Irrigado de São Gonçalo, Município de Sousa, Mesorregião do Sertão Paraibano, microrregião de Sousa, distando 430 km da cidade de João Pessoa. A Estação possui 11 ha de área e desenvolve tecnologias de irrigação com frutíferas (goiaba, manga, uva, abacaxi, maracujá, mamão) e culturas extrativistas, como a pupunha.
Clima
Segundo a Classificação de Köppen, o clima da área é do tipo Aw' (quente), com chuvas de verão-outono, resultantes da atuação das frentes de convergência intertropical (CIT). De acordo com Gaussen o clima da área é do Tipo 4aTh, clima tropical quente de seca acentuada, com 7 a 8 meses secos. O índice xerotérmico, que indica os números de dias biologicamente secos, está compreendido entre 150 e 200.
As temperaturas mais elevadas ocorrem nos meses de abril e julho. A umidade relativa do ar varia de 56 a 74% (na Estação climatológica de Sousa, PB). A insolação média anual é igual a 8,7 horas, registrando-se velocidade média do vento anual de 2,7 m/s.
As taxas de evaporação observadas em uma série de 14 anos (1969 - 1983), no Município de Sousa, PB, demonstram que os meses de outubro, novembro e dezembro apresentam maiores índices de evaporação e no período de fevereiro a junho, são encontrados índices inferiores.
A média das precipitações anuais situa-se em torno de 900 mm, dos quais aproximadamente 60,9% ocorrem no trimestre mais chuvoso (fevereiro a abril).
Vegetação
A vegetação predominante da área é a caatinga hiperxerófila, caracterizada por vegetais de porte variável arbóreo ou arbustivo e de caráter xerófilo, com grande quantidade de plantas espinhosas, cactáceas e bromeliáceas. Esta vegetação encontra-se largamente devastada pela ação antrópica e, em algumas áreas, pode-se encontrá-la apenas raleada, para o aproveitamento com pecuária extensiva.
As principais espécies que ocorrem na área são: Espinheiro bravo (Acacia piauhyensis), Umari bravo (Calliandra spinosa), Jurema branca (Pithecolobium dumosum), Jurema preta (Mimosa hostilis.), Cipó de fogo (Euphorbia phosphorea), Favela (Cnidoscolus philacanthus), Pinhão bravo (Jatropha pohliana), Velame (Croton campestris), Cardeiro (Cereus chrysostele), Facheiro (Cereus squamosos), Xique-xique (Cereus gounellei), Catingueira (Caesalpinia pyramidalis), Aroeira (Schinus terebinthifolius), Marmeleiro (Croton sondelianus.), Pereiro (Aspidosperma pyrifolium), Quixabeira (Brumelia sertorum), Palmatória braba (Opuntia palmadora), Juazeiro (Ziziphus juazeiro), Angico (Anadenanthera macrocarpa).
Observa-se nas áreas raleadas para o pastoreio extensivo a predominância de pereiro, juazeiro e angico. Às margens dos rios do Peixe e Piranhas, encontram-se comunidades de plantas que aparecem em estreitas faixas, formando as matas ciliares, hoje em pequena proporção, sendo mais comumente encontradas as seguintes espécies típicas: Oiticica (Licania rigida), Carnaúba (Copernica cerifera), Joazeiro (Ziziphus joazeiro), Calumbi (Acacia riparia), Mufumbo (Combretum leprosum).
A vegetação ciliar, geralmente, situa-se em solos aluviais, que na quase totalidade foi devastada, dando espaço às explorações agrícolas, porém algumas árvores foram preservadas junto ao curso d'água.
Geomorfologia
Localizada à Noroeste do Estado da Paraíba, a geomorfologia da área faz parte da bacia sedimentar do Rio do Peixe, é constituída por uma área com nível altimétrico baixo, originada por reativação de falhas tectônicas ocorridas no cretáceo inferior. Sendo formada por camadas alternadas de arenito e folhelhos, com a presença de processos pedogenéticos atuando em argilitos, calcário, siltitos oliváceos com carbonato de cálcio. A bacia é ainda subdividida pelas formações geológicas Antenor Navarro, Sousa e Piranhas. Na formação Sousa, a extensão vertical (espessura) é estimada em 1.220 m, enquanto na formação Piranhas essa espessura é de 320 m. O contato entre essas formações é sobrejacente de forma concordante e gradacional.
O relevo apresenta-se plano e suave ondulado na forma de pediplano ou glacis, possui superfície inclinada seguindo uma orientação no sentido das bordas para o centro da bacia, com níveis altimétricos em torno de 200 m e desníveis médio de 50 m mais baixo em relação aos pediplanos periféricos.
Principais Unidades de Solo
NEOSSOLO FLÚVICO - compreende solos constituídos por material mineral ou por material orgânico pouco espesso com pequena expressão dos processos pedogenéticos em conseqüência da baixa intensidade de atuação destes processos, que não conduziram, ainda, a modificações expressivas do material originário, de características do próprio material, pela sua resistência ao intemperismo ou composição química, e do relevo, que podem impedir ou limitar a evolução desses solos.
São solos profundos a muito profundos, textura média, com sequência de camadas (Ap, 2c, 3c...) de espessura variável. As cores são bruno-acinzentado muito escuro, bruno-acinzentado, bruno-acinzentado-escuro, bruno muito escuro e bruno, matizes de 10YR, a 7,5YR, valores de 2 a 5 e cromas de 2 a 3, blocos subangulares fortemente desenvolvida, porém friáveis quando úmido. São solos com lençol freático profundo.
São moderadamente drenados. Esses solos acumulam cerca de 90,2 mm de água disponível nos primeiros 60 cm, e 87,7 mm até uma profundidade de 170 cm. Apresenta uma baixa relação textural (silte/argila), uma boa porosidade total em torno de 50% e uma densidade aparente em torno de 1,2 g/cm3, o que lhes confere boas condições físicas.
Apresentam teores de carbono orgânico geralmente baixos e altos valores de Ca++ e Mg++ trocáveis. No caso do K+ trocável verificam-se valores altos na superfície, os quais geralmente decrescem nas camadas subjacentes. O alumínio está sempre ausente, capacidade de troca de cations é alta e a saturação de bases é sempre alta com percentagens na maioria de 100%. Quanto à condutividade elétrica e saturação com sódio, apresentam valores baixos.
Uso Agrícola
São solos de grande importância para a exploração agrícola e pecuária. Com o auxílio da irrigação podem ser utilizados para o cultivo intensivo de diversas culturas.
Linhas /Ações de pesquisa
Na EE de São Gonçalo, são desenvolvidas pesquisas em irrigação e avaliação de cultivares de frutíferas, feijão.
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João Pessoa, PB, 25.03.2003
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