Estação Experimental José Irineu Cabral
Estação Experimental de Mangabeira
Rodovia Min. Abelardo Jurema - Sítio de Jacarapé,sn
CEP 58000-000 João Pessoa, PB
Localização e Caracterização da Área
A Estação Experimental de José Irineu Cabral pertencente à Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba S.A. - Emepa, está situada na Mesorregião da Mata Paraibana, no Município de João Pessoa, PB, nas coordenadas geográficas 06º 33' 13'' S e 374º 48' 31'' W. Gr., a uma altitude de 30 m.
A Estação tem uma área de 260 ha, localizada no interflúvio dos rios Cuiá, Jacarapé e Cabelo, ocupadas com pomares e bancos de germoplasma de fruteiras nativas e exóticas, bosques com resquícios da Mata Atlântica e campos experimentais. Dispõe de instalações administrativas, abrigos para máquinas, telados, barragem, equipamentos de irrigação, laboratório de cultura de tecidos vegetais, além de áreas próprias para produção de mudas.
Clima
Segundo a classificação de Köppen, o clima da região é do tipo As' (quente e úmido) com chuva de outono-inverno. O regime pluviométrico está sob influência da massa Equatorial Atlântica. A abundância das chuvas, principalmente na faixa litorânea, ocorrem entre os meses de junho e agosto, em função da chegada das massas polares do sul juntamente com alísios de Sudeste. A época seca ocorre de setembro até fevereiro, sendo novembro o mês mais seco do ano. A precipitação pluvial média, na Mesorregião da Mata Paraibana, está na faixa de 1200 a 1500 mm.
As temperaturas médias anuais são elevadas, entre 22 e 26° C, com os meses mais quentes em janeiro e fevereiro e os mais frios, de julho a agosto. Em decorrência de baixa latitude a amplitude térmica anual é pequena. A umidade relativa do ar é em torno de 76%.
Geologia
É formada por sedimentos do Grupo Barreiras, referido ao plioceno, que penetram até 40 Km para o interior, limitando-se a leste com as formações do holoceno. Constituem afloramentos calcáreos ou relevos planos, pouco elevados formando os tabuleiros, planícies marinhas e flúvio-marinhas. Estes sedimentos chegam até a orla marítima formando as falésias e sua espessura pode chegar a atingir até 80 m para entrar em contato com os calcáreos do cretáceo. Essa espessura diminui de acordo com que avança para o oeste onde entra em contato com rochas do Pré -Cambriano.
Geomorfologia
Por sua localização, a Estação apresenta várias feições geomorfológicas distintas, como Baixada Litorânea, Baixos Planaltos Costeiros (tabuleiros) e Planícies. A Baixada Litorânea é constituída por sedimentos recentes, composta por praias, dunas, mangues e várzeas, cujas altitudes variam de 0 - 10 m que se distribuem ao longo da orla marítima por estreitas faixas que se limitam com as falésias.
Os Baixos Planaltos Costeiros são regionalmente conhecidos como tabuleiros, apresenta superfície plana ou suavemente ondulada com altitude, próxima à praia, que varia de 10 a 30 m e é entalhada por rios que demandam ao oceano. À medida que se avança para o interior, são mais freqüentes, por sua vez, cotas próximas aos 50 m.
Vegetação
Compreende resquícios das seguintes formações vegetais: Vegetação pioneira, Campos de mata de restinga, manguezais e mata úmida e cerrados. As principais espécies encontradas são: Murici de praia (Byrsonima gardneriana), Olho de pombo (Abrus precatorius), Cajueiro (Anacardium occidentale L.), Aroeira de praia (Schinus Therebenthifolius), Mangue vermelho (Rizophora mangle L.), Mangue de botão (Conacarpus erectus L.), Mangue Branco (Laguncularia racemosa G.), Batiputá (Ouratea sp.) e Cajuí (Anardium microcarpum L.).
No contexto geral da área de abrangência e adjacências da Estação Experimental, esta vegetação encontra-se bastante descaracterizada pela ação antrópica, pois as suas reservas naturais são fontes de essências nobres.
A área encontra-se, atualmente, ocupada por culturas, especialmente frutíferas como: Mangabeira (Hancornia speciosa Muell) - frutífera nativa de grande importância para a mata atlântica, hoje preservada através do banco de germoplasma da Emepa.
Cajueiro - variedade anã precoce; cajá, também preservado através de um banco de germoplasma; graviola; urucum; goiaba.
Principais Unidades de Solos
As principais unidades de solos encontrados na área são:
ESPODOSSOLOS - são solos constituídos por material mineral com horizonte B espódico subjacente a horizonte eluvial E (álbico ou não), ou subjacente a horizonte A, que pode ser de qualquer tipo, ou ainda, subjacente a horizonte hístico com menos de 40 cm de espessura. Apresentam, usualmente, seqüência de horizontes A, E, Bh, Bhs ou Bs e C, com nítida diferenciação de horizontes.
São solos muito pobres, moderados a fortemente ácidos, normalmente com saturação por bases baixa, podendo ocorrer altos teores de alumínio extraível. Podem apresentar fragipã, duripã, "ortstein" ou "orterde". São desenvolvidos principalmente de materiais arenoquartzosos, sob condições de umidade elevada, em clima tropical e subtropical, em relevo plano, suave ondulado, áreas de surgente, abaciamentos e depressões tipos de vegetação os mais diversos.
ALISSOLOS CRÔMICOS ARGILÚVICOS - compreende solos constituídos por material mineral que tem como características diferenciais argila de atividade de 20 cmolc/kg de argila ou maior, baixa saturação por bases, alto conteúdo de alumínio extraível (AL3+ > 4cmolc/kg de solo), conjugado com saturação por alumínio > 50%. Podem apresentar horizonte A moderado, proeminente ou húmico e/ou horizonte E sobrejacente a um horizonte B textural ou B nítico, desde que não satisfaçam os requesitos para enquadramento nas classes dos Planossolos, Plintossolos ou Gleissolos.
Alguns destes solos apresentam uma acentuada diferenciação textural, sendo a transição do A para o horizonte Bt clara ou abrúpta; em outros solos esta diferenciação é menos pronunciada, e a transição do A para o horizonte B textural ou B nítico é normalmente clara, mais pelo contraste de cor e estrutura do que pelo gradiente textural. A seqüência de horizontes, tanto num caso como no outro é A, Bt e C.
De modo geral, são bem a imperfeitamente drenados, pouco profundos, de coloração avermelhada, alaranjada ou brunada e usualmente heterogênea por efeito de mosqueamento dessas cores, com ou sem cinzento no horizonte Bt. Observa-se uma acentuada tendência de aumento do mosqueado e decréscimo das cores mais avermelhadas e mais vivas, com a profundidade. A textura varia de média a argilosa no horizonte A, e de média a muito argilosa no horizonte subsuperficial.
LATOSSOLOS - compreende solos constituídos por material mineral, com horizonte B latossólico imediatamente abaixo de qualquer um dos tipos de horizonte diagnóstico superficial, exceto H hístico.
São solos em avançado estágio de intemperização, muito evoluídos, como resultado de enérgicas transformações no material constitutivo (salvo minerais pouco alteráveis). Variam de fortemente a bem drenados, embora possam ocorrer solos de drenagem moderada ou até mesmo imperfeitamente drenados, transicionais para condições de maior grau de gleização. Em geral, são fortemente ácidos, com baixa saturação por bases, distróficos ou álicos.
São normalmente muito profundos, sendo a espessura do solum raramente inferior a 1 m. Têm seqüência de horizontes A, B, C, com pouca diferenciação de horizontes, e transições usualmente difusas ou graduais. As cores variam desde amarelas ou mesmo Bruno acinzentadas até vermelho-escuro-acinzentadas, nos matizes 2,5YR a 10YR, dependendo da natureza, forma e quantidade dos constituintes - mormente aos óxidos e hidróxidos de ferro - segundo o condicionamento de regime hídrico e drenagem do solo, dos teores de ferro na rocha de origem e se a hematita é herdada dele ou não.
Uso Agrícola
Estes solos podem ser cultivados com diferentes tipos de cultura. Entretanto, apresentam como principais limitações, a sua muito baixa fertilidade natural, bem como uma baixa percentagem de argila que condiciona pequena capacidade de retenção de água e principalmente nutrientes. Embora apresente condições favoráveis à mecanização, necessitam para sua utilização de grandes investimentos visando a melhoria de suas condições químicas, através de adubações orgânicas, minerais e práticas de calagem.
Linhas /Ações de pesquisa
Na EE de Mangabeira, são desenvolvidas pesquisas em avaliação de cultivares de frutíferas, urucum, macaxeira e mandioca, manejo da cultura do inhame, bancos ativos de germplasma de mangaba e cajá. Produção de mudas frutíferas.
João Pessoa, PB, 25.03.2003