Plano de manejo para conversão e certificação orgânica dos produtos vegetais e animais da Estação Experimental Aparecida
Agricultura orgânica é um termo freqüentemente usado para a produção de alimentos e produtos animais e vegetais que não fazem uso de substâncias químicas sintéticas ou alimentos geneticamente modificados, e geralmente adere aos princípios de agricultura sustentável. É considerado como um sistema de gerenciamento total da produção agrícola visando promover e realçar a saúde do meio ambiente, preservar a biodiversidade, os ciclos e as atividades biológicas do solo (Ambiente Brasil, 2007; Wikipedia, 2007).
A sua base é holística e põe ênfase no solo e em práticas de manejo que contrapõem o uso de elementos estranhos ao meio rural. O princípio da produção orgânica é o estabelecimento do equilíbrio da natureza utilizando-se métodos naturais de adubação e de controle de pragas e doenças. Isso abrange, sempre que possível, a administração de conhecimentos agronômicos, biológicos e até mesmo mecânicos (Agrorgânica, 2007). Entretanto, a filosofia dos alimentos orgânicos não se limita à produção agrícola, mas estende-se também à pecuária (rebanho criado sem remédios e/ou hormônios) e, também, ao processamento de todos os seus produtos: alimentos orgânicos industrializados também devem ser produzidos sem produtos químicos artificiais, como os corantes e aromatizantes artificiais (Planeta Orgânico, 2007).
De acordo com a Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica (IFOAM), o sistema orgânico já é praticado em muitos países, sendo observada uma rápida expansão na Europa, EUA, Japão, Austrália e América do Sul. Tal expansão está associada ao aumento de custos da agricultura convencional, à degradação do meio ambiente e à crescente exigência dos consumidores por produtos animais e/ou vegetais “limpos”, livres de substâncias químicas e/ou geneticamente modificadas (Darolt, 2005; Herbário, 2007).
No Brasil a agricultura orgânica despontou no início da década de 80 e, desde então, ano a ano, só tem crescido o volume de produtos orgânicos comercializados – atualmente estimado em 300 mil toneladas/ano e movimentando um mercado de RS $ 300 milhões/ano -, bem como o número de propriedades orgânicas e/ou em transição - a área cultivada sob manejo orgânico no Brasil em 2004 foi estimada em 841 mil hectares, sendo a maioria nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná –, com tendências de crescimento, visto que grande número de propriedades ainda passa por processos de conversão e não pode comercializar seus produtos como orgânicos (Planeta Orgânico, 2007; Tagliari, 2007). A maior parte (80%) da produção orgânica do Brasil é exportada, sobretudo para a Europa, Estados Unidos e Japão e o restante é distribuída no mercado interno. Ressalta-se que os produtores orgânicos brasileiros são em sua maioria (90%) pequenos agricultores familiares ligados a associações e grupos de movimentos sociais, os quais são responsáveis por cerca de 70% da produção orgânica e respondem por boa parte da renda gerada com estes produtos; e grandes produtores empresariais (10%) ligados à empresas privadas (Darolt, 2005; Portal Agricultura, 2007).
Na região nordeste destaca-se o estado do Ceará, com mais de 21 mil hectares sob manejo orgânico, seguido pela Bahia e Maranhão. Na Paraíba o número de agricultores e/ou propriedades rurais inseridas nessa filosofia de agricultura ainda é incipiente. No entanto, se sobressai a Fazenda Tamanduá, localizada no município de Santa Teresinha e pertencente à Mocó Agropecuária Ltda, empresa que desde 1998 vem produzindo alimentos - com ênfase à manga (Mangifera indica L.), mel, queijos e cordeiros -, certificados como orgânicos pelo Instituto Biodinâmico de Desenvolvimento Rural (IBD). Desde o ano 2000, toda a produção da Fazenda Tamanduá vem sendo comercializada regularmente para outras regiões do Brasil e exportada para o continente europeu, com resultados sociais, ambientais e econômicos excelentes.
Seguindo esta tendência, a Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba S/A (EMEPA-PB), tendo como dever a geração e adaptação de tecnologias direcionadas ao agronegócio e agricultura familiar paraibanos, vem apresentar o plano de manejo para conversão e certificação de seu pomar de frutíferas integradas e à criação de cordeiro precoce, para o sistema de exploração orgânico, desenvolvidos na Estação Experimental Aparecida (EEA) e, sob orientação/inspeção da Associação de Agricultura Biodinâmica do Nordeste (ABD Nordeste) e em parceria com a Mocó Agropecuária Ltda.
Com a adoção de medidas de conversão para o sistema orgânico de manejo, pretende-se obter produtos de ovinos e frutíferas saudáveis, livres de resíduos químicos, provenientes de um sistema de manejo em que sejam privilegiados a saúde do consumidor, o bem-estar do agricultor e a preservação do meio ambiente.