Cultura da Mandioca (Manihot esculenta Crantz)
Edson Cavalcante Matias
INTRODUÇÃO
Conhecida pela rusticidade e pelo papel social que desempenha junto às populações de baixa renda, a cultura da mandioca tem grande adaptabilidade aos diferentes ecossistemas, o que possibilita seu cultivo praticamente em todo território nacional. Seu grande problema é a baixa produtividade, devido às práticas tradicionais de cultivo.
A mandioca, planta com grande capacidade de produção de amido, tem sua principal importância na alimentação humana, principalmente na população de baixa renda. O Brasil com aproximadamente dois milhões de hectares é um dos maiores produtores mundiais de mandioca, com a produção em 1998 de 25,1 milhões de toneladas de raízes frescas. A região Nordeste é responsável por 46,4% da produção brasileira. Os Estados do Pará (14,83%), Paraná (12,39%), Bahia (11,81%), Maranhão (11,44%) e Piauí (5,53%) são responsáveis por 56% da produção do País. Entretanto, os Estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul detêm as maiores produtividades, com 22,5, 22,0 e 18,4 t/ha de raízes, respectivamente (IBGE, 1997).
CULTIVARES
O Grande número de cultivares existentes no Brasil permite a escolha de cultivares de acordo com a região e a finalidade de exploração da cultura.
Na escolha adequada de uma cultivar para o plantio, devem ser considerados os seguintes aspectos: a finalidade de exploração do cultivo, o ciclo e o local onde vai ser plantada.
É bastante variada a nomenclatura regional da mandioca, podendo uma mesma cultivar ter diferentes nomes e um mesmo nome ser comum a mais de um cultivar.
Quanto à toxidade as cultivares podem ser:
mandioca branca, amarga ou venenosa - de utilização industrial.
mandioca mansa, de mesa, aipim ou macaxeira - de uso culinário.
Quanto ao teor de ácido cianídrico:
Não venenosa - menos 50 mg de HCN por kg de raiz fresca
Pouco venenosa - de 50 a 80 mg de HCN por kg de raiz fresca
Venenosa - de 80 a 100 mg de HCN por kg de raiz fresca
Muito venenosa - acima de 100 mg de HCN por kg de raiz fresca
Quanto à precocidade as cultivares podem ser:
Precoces - ciclo de 10 à 12 meses
Semi-precoces - ciclo de 14 à 16 meses
Tardias - ciclo de 18 à 20 meses
Quanto á utilização as cultivares podem ser:
Industriais - a maioria das raízes é processada sob a forma de farinha e amido.
Teor de amido > 30%
Raízes com polpa branca
Película (córtex) fina e de cor clara
Destaque fácil da película da raiz
Ausência de cinta na raiz
Boa conformação das raízes
De mesa - as cultivares utilizadas para consumo humano são denominadas de aipim, macaxeira ou mandioca mansa. Neste caso o mais importante é a qualidade da raiz.
Baixo teor de HCN nas raízes
Cozimento rápido
Boa palatabilidade
Fácil descascamento
Ausência de fibras nas raízes
Raízes bem conformadas
Alimentação animal: as cultivares devem apresentar alto rendimento de raízes e parte aérea. Com boa retenção foliar e alto teor de proteínas nas folhas. As raízes são fornecidas aos animais após a secagem ou transformada em raspa. A parte aérea é consumida pelos animais após fenação ou silagem processos eficientes na eliminação do HCN nas folhas.
Sendo a mandioca uma planta dicotiledônea da família Euforbiácea do Gênero Manihot de origem americana, cultivada desde a antiguidade e oriunda de região tropical, encontra condições favoráveis para o seu desenvolvimento em todos os climas tropicais e subtropicais. Suporta altitudes que oscilam até cerca de 2.000m na região equatorial. O clima mais adequado ao seu perfeito desenvolvimento é o quente úmido. É cultivada na faixa compreendida entre 30 graus de latitude Norte e Sul, embora a concentração do plantio da mandioca esteja entre as latitudes 15°N e 15°S.
A temperatura ideal varia entre 18 e 35 °C. A faixa mais adequada de precipitação pluvial está compreendida entre 1.000 a 1.500 mm anuais, regularmente distribuída, principalmente no estágio inicial da cultura. A mandioca é cultivada também nas regiões semi-áridas com 500 a 700 mm de chuva anual, nessas condições é importante adequar a época de plantio, para que não ocorra deficiência de água nos primeiros cinco meses de cultivo.
Em geral, os solos mais indicados são aqueles de topografia plana, com boa permeabilidade, textura areno-argilosa, boa profundidade, com pH, variando de 5,0 a 6,0 e boa fertilidade. Deve-se evitar os solos sujeitos a encharcamento, devido a dificuldade de aeração que ocasiona podridão nas raízes e também os argilosos, pois impedem o desenvolvimento adequado das raízes tuberosas. Uma plantação num solo dessa natureza implicará numa colheita difícil e arenosa.
A mandioca, por ser um cultivo cujo principal produto são as raízes, necessita de solos profundos e friáveis (soltos), sendo ideais os solos arenosos ou de textura média, por possibilitarem um fácil crescimento das raízes, pela drenagem e pela facilidade da colheita.
A mandioca produz bem quando plantada em solos de boa fertilidade, mas é capaz também de apresentar produção satisfatória em solos de baixa fertilidade, onde a maioria dos cultivos tropicais não produziria satisfatoriamente, devido às condições adversas. Como meio de evitar o esgotamento dos nutrientes do solo deve-se proceder a rotação da mandioca com outras culturas, principalmente com leguminosas.
Na escolha da área para o plantio deverão ser consideradas as condições de clima e de solo favoráveis ao cultivo. Um mandiocal, sempre que possível, deve ser instalado em áreas planas 0ou levemente onduladas, com um declive máximo de 10%, dependendo do solo.
De uma maneira geral, o preparo do solo visa melhorar as condições físicas para germinação das manivas, crescimento das raízes e brotação das partes vegetativas, mediante o aumento da aeração e da infiltração de água e redução da resistência do solo ao crescimento das raízes; visa também o controle do mato. O adequado preparo do solo permite, em seguida o uso mais eficiente dos corretivos de acidez, dos fertilizantes e de outras práticas agronômicas.
Para áreas ainda não cultivadas é necessário fazer a roçagem, encoivaramento e queima, seguidas de uma aração e uma gradagem, com a finalidade de tornar o solo mais permeável e mais arejavél.
Os fatores que contribuem para que a maioria dos cultivares de mandioca sejam boas para o plantio se relacionam com sua qualidade, sanidade e período de armazenamento.
A qualidade está determinada pela idade do caule, do número de nós por estaca, da grossura, das deficiências da germinação segundo a variedade, e da intensidade de danos mecânicos que sofre a estaca durante o corte, transporte e plantio.
A qualidade da maniva pode ser determinada pela presença de patógenos, localizados e organismos que se encontrem no solo, assim como, ácaros e insetos que se encontram na superfície da estaca ou pelos insetos que se encontram dentro da estaca ou no solo.
Com a finalidade de prevenir os problemas no material de propagação de mandioca sugere-se uma seleção cuidadosa de estacas de boa qualidade. Estas devem ser sãs e deverão ser tratadas com fungicidas, inseticidas e acaricidas protetores e irradicantes. Mediante este tratamento é possível manter as estacas armazenadas por um período superior a 30 dias.
A mandioca é uma planta lenhosa que se multiplica melhor pela forma vegetativa. Em todo cultivo que se propaga vegetativamente, o bom estado das estacas é fundamental para se obter alta produção.
Na maioria das plantações, observa-se que o número de plantas na colheita é bem menor que o número de manivas plantadas inicialmente, ocasionando por isso uma baixa produtividade, que existe pouca uniformidade quanto ao vigor das plantas; que a produção da planta varia consideravelmente e que quase sempre se apresentam podridões das raízes na colheita. Se bem que alguns destes problemas se atribuem a fatores edafoclimáticos, mas o uso de estacas de boa qualidade e sanidade reduz a freqüência e severidade das perdas.
É de suma importância que o produtor de mandioca use sempre boas manivas com a finalidade de reduzir e evitar as podridões de raízes e a introdução de doenças e pragas, assegurando uniformidade, vigor no estabelecimento do cultivo e boa produção. Um bom material de propagação se obtém de caules de boa qualidade originárias de um período de armazenamento adequado.
A qualidade da maniva depende da idade e diâmetro do caule utilizado, do número de nós por maniva e do cumprimento. Repetidas observações de campo indicam que deles depende a produção de plantas rigorosas, capazes de produzir um bom número de raízes comerciais.
Normalmente se recomenda o tratamento das manivas antes do plantio com Dithane PM e Sulatol nas dosagens de 2,22 g/litro água e 1 cl/litro d'água. Prepara-se a solução e faz-se a imersão das manivas durante cinco minutos.
É necessário plantar boa maniva de mandioca com o fim de obter rendimentos altos.
Para obter boa maniva deve-se ter em conta as seguintes recomendações:
Ser originária de uma variedade com boa capacidade germinativa. O pedaço do caule a selecionar deve ter maturidade apropriada (5 a 7) 20 cm de comprimento e diâmetro não inferior a metade da grossura máxima do caule da variedade que se vai plantar;
Evitar danos mecânicos das estacas durante sua preparação, transporte e plantio; os cortes devem ser uniformes e transversais;
Não introduzir material de propagação procedente de regiões infectadas com mosaico africano;
Evitar a introdução de manivas procedentes de regiões onde a bacteriose e o superalongamento da mandioca estão presentes, quando existem estas enfermidades na região; Selecionar como material de plantio somente aquelas plantações que permaneçam sãs durante o período chuvoso. Se não se encontra, deve-se produzir material livre da bacteriose e tratar as estacas com fungicidas erradicantes do agente causal do super alongamento;
Não usar estacas de plantas que apresentem sintomas viróticos ou de microplasmáticos;
Toda estaca deve ser examinada cuidadosamente; eliminar todo pedaço que apresente sinais de patógenos localizados (cancros e podridões) e danos de insetos (galerias ou túneis, feridas epidérmicas);
As estacas devem ser tratadas com fungicidas e inseticidas imediatamente ao cortar-se da planta e antes do armazenamento. O armazenamento deve ser reduzido ao mínimo, não superior a 30 dias.
Não plantar em solos infestados com insetos do solo (largatas brancas de besouros, cupins, cortadoras superficiais e subterrâneas) sem aplicar inseticidas juntos às manivas ou ao solo;
Realizar o plantio quando o solo apresentar boa umidade; evitar plantar durante períodos seco.
Se ao fazer a colheita, for observada desuniformidade na produção e mais de 5% de podridão radicular, fazer rotação com gramíneas por um período não inferior a 6 meses.
A quantidade de manivas necessária para o plantio de 1 hectare é 4 a 5 m3, sendo que 1 hectare de mandioca com 12 meses de ciclo pode fornecer hastes para o plantio de 4 a 5 ha. Um metro cúbico de hastes pesa de 150 a 200kg, podendo fornecer de 3500 a 4000 manivas de 20 cm de comprimento, dependendo das características do sistema caulinar da cultivar.
O sistema de plantio varia de acordo com as condições do solo. Em solos secos a mandioca pode ser plantada em covas ou sulco com uma profundidade média de 10 cm. As covas são preparadas com enxadas, já os sulcos são construídos com sulcador à tração animal e motomecanizados. Em solos sujeitos a encharcamento, o plantio deverá ser feito em leirões, que podem ser construídos com enxadas ou arador.
A escolha da melhor época de plantio é fator decisivo no desenvolvimento e produção de mandioca. Deve-se optar pelo plantio no início das chuvas, quando o solo apresentar condições de umidade adequadas, embora possam ocorrer plantios fora da época, em decorrências de chuvas esporádicas.
Na Região Nordeste deve-se plantar nos meses de abril a julho. As manivas sementes podem ser plantadas em três posições. Vertical, inclinada ou horizontal. A maneira mais adotada é a horizontal, porque facilita a colheita das raízes; na posição vertical, 23 das manivas são enterradas verticalmente e as raízes formadas na parte inferior tendem a se aprofundar mais do que as outras, na posição inclinada, a maniva é colocada de tal forma que faça um ângulo de 45 °C em relação ao solo.
No cultivo da mandioca o espaçamento depende da fertilidade do solo, do porte da variedade, do objetivo da produção (raízes ou ramas), dos tratos culturais e do tipo de colheita (manual ou mecanizada).
Recomenda-se o espaçamento de 1,00 x 0,60 m em fileiras simples (16.666 p/ha) e o de 2,00 x 0,60 x 0,60 m (2,00 m entre as linhas duplas, 0,60m entre as linhas simples e 0,60 m entre as plantas nas linhas) dando (12.820 p/ha) quando a colheita for mecanizada o espaçamento utilizado deverá ser de 1,20 x 0,60 m (13.888 p/ha).
Em primeiro lugar deve ser feita a análise de solo, para então se saber quais as quantidades de elementos a serem utilizadas. Se o solo for ácido e necessitar de calagem recomenda-se usar o calcário dolomítico. Esta aplicação deve ser efetuada 45-60 dias antes do plantio e a incorporação deverá ser feita com uma gradagem.
A mandioca é uma planta exigente e esgotante, por isso necessita de grandes quantidades de nutrientes para apresentar uma boa produção de raízes e apreciáveis teores de amido.
Os efeitos favoráveis da adubação orgânica estão relacionados com o fornecimento de nutrientes e, certamente com alterações nas propriedades físicas, químicas e biológicas do solo. As quantidades variam com os adubos disponíveis (estercos e tortas) e devem ser aplicadas na cova ou sulco, na ocasião do plantio.
A adubação fosfatada deve ser efetuada totalmente na ocasião do plantio. A adubação potássica deve ser efetuada 50% juntamente com a fosfatada e os outros 50% em cobertura, juntamente com a adubação nitrogenada 30 a 50 dias após o plantio.
O desenvolvimento da mandioca é bastante lento nos primeiros meses. Daí a necessidade de capinas para evitar 1que as invasoras não cheguem a competir com a cultura na absorção de nutrientes, luz e água.
Esses cultivos podem ser manuais ou mecânicos. Cultivos manuais são os realizados à enxada pelo agricultor e para limpar um hectare é necessário de 15 a 20 homens, principalmente durante as primeiras limpas, na época de chuva.
Cultivo mecânico é aquele feito por cultivadores de tração animal ou com trator, só utilizado no inicio do desenvolvimento das plantas. Também se pode usar o cultivador motomecanizado do tipo "TOBATI", com resultado satisfatório.
O número de capinas a ser realizado num mandiocal depende dos seguintes fatores:
fertilidade do solo, preparo do solo, espaçamento, clima, utilização anterior da área e cultivar plantada.
Outro meio de se combater as invasoras é pelo uso de herbicidas. Herbicidas são produtos químicos que podem ser utilizados no combate Às invasoras em pré-emergência ou em pós-emergência.
Pré-emergência quando é utilizado antes da germinação ou brotação dos cultivos.
Pós-emergência quando é utilizado depois da germinação ou brotação dos cultivos.
- Seletivos quando não causam danos à cultura.
- Não seletivos quando promovem distúrbios à cultura.
- Herbicidas seletivos: Alaclor (Laço) e Diuron (Karmex).
A poda é uma prática muito pouca utilizada no Estado da Paraíba e Pernambuco. No Estado do Sul como Santa Catarina e Rio Grande do Sul a poda é uma prática obrigatória principalmente nos anos que caem geadas; a agricultura para ter material de plantio é obrigado a fazer a poda e armazenar.
PRAGAS E DOENÇASPRAGAS
As principais pragas que ocorrem na cultura da mandioca são: Mandarová, Ácaros, Broca-do-broto, Brota-do-caule, Mosca-de-cecília e Formiga-cortadora-das-folhas.
Mandarová (Erinnys ello L.) - O Mandavorá da mandioca é uma largata voraz, se alimenta de todas as variedades sejam elas de mandioca ou macaxeira. Mede aproximadamente 8 a 9 cm de comprimento quando completam o estado de adulto. O Mandarová é considerado por todos os autores como a principal praga da mandioca, e seu controle se torna difícil devido as altas populações de larvas e seus inimigos naturais. Faz-se algumas restrições da aplicação de inseticidas químicas como método de controle, isto porque induziria a um desequilíbrio biológico, haja vista que os inimigos naturais como vespas, moscas, hemípteros, parasitam tanto os ovos como as larvas, controlando a praga naturalmente. Como melhor método de controle recomenda-se a aplicação do inseticida biológico à base de Bacillus thuringiensis (DIPEL) na dosagem de 300 a 500 g/ha do produto, o qual atua de forma seletiva, favorecendo o ecossistema a permanecer em equilíbrio.
Ácaros (Mononychellus tanajoa Bandor) - conhecidos como o ácaro verde da mandioca Manonychellus tanajura é uma praga importante de distribuição generalizada desde o litoral estendendo-se às microregiões da Caatinga, Agreste e Brejo. O pico de ataque ocorre nos meses de outubro, novembro e dezembro, meses estes em que a temperatura atinge faixas de 28 a 32°C, o que beneficia o aumento da população e em conseqüência uma maior intensidade de ataque. O seu desenvolvimento se dá nas gemas apicais e a alimentação ocorre nas folhas, que apresentam uma coloração amarelo embranquecida. Folha e talos infestados morrem progressivamente de cima para baixo. Um método de controle natural são as chuvas, principalmente aquelas que caem de janeiro a fevereiro proporcionando uma diminuição da população da praga. Para o controle químico, não há nenhum produto registrado para ácaros da mandioca.
Broca-do-Broto (Silba pendula Bezzi) - ocorre em todos os municípios onde se cultiva a mandioca. Seu ataque é notável, pois a gema apical é o local preferido para uma alimentação. Por motivo da larva ingerir pequenas porções próximo do ápice (ponta) os ramos morrem. No local atacado há uma formação de gema escura em decorrência da exudação do látex e detritos de larva. A planta atacada gasta muita reserva para recuperação de um novo ápice que sai logo abaixo do broto atacado, geralmente se formam dois em ramificação simpodial.
O melhor método de controle é a aplicação de iscas utilizando-se 9 L de mel de rapadura e 25 ml de folidol para 18 litros dágua.
Broca-do-caule (Anastrepha sp.) - Essa praga é menos freqüente, mas ocorre também em todos os municípios onde se cultiva a mandioca; os danos no caule aparecem sob a forma de galerias com ataque descendente. Há também a exudação gomosa misturada aos objetos da larva. O controle é feito com a aplicação de iscas (ver controle do broto).
É uma praga de pequena importância econômica, mas que está presente em todas as microrregiões de cultivo da mandioca; os danos causados não são relevantes mas em casos de severas infestações onde a área foliar fica totalmente coberta pelas verrugas, a produção é sensivelmente prejudicada. A mosca-de-cecídia põe os ovos na parte inferior da folha, as larvas eclodem e penetram no mesofilo foliar induzindo um crescimento celular anormal assemelhando-se a uma cecídia ou galha. O controle se baseia na coleta de folhas atacadas e destruição das mesmas com intervalos de 8 dias. Não se recomenda o controle químico devido à praga se encontrar em local de difícil alcance do inseticida.
Formigas-cortadoras-das-folhas (Alta sp. Acromyrmex sp.) - Várias espécies de formigas ocasionam desfolhamento do mandiocal, principalmente as conhecidas como formiga-de-roça e saúvas. O controle mais indicado é a distribuição do Mirex granulado colocado sobre os ninhos ou caminhos que são levados à panela onde a atuação do formicida proporciona um controle eficaz.
DOENÇASAs principais doenças que ocorrem na cultura da mandioca são: Podridão radicular, mancha-parda, mancha-branca e antracnose.
Podridão-radicular (Phytophthora drechsleri, Tueker) - Esta doença é característica de solos pesados (argilosos) e mal drenados, os quais favorecem o fungo a se multiplicar e provocar a enfermidade. Plantas atacadas apresentam os sintomas de campo facilmente reconhecíveis, mostram uma podridão na região do colo, murchamento a partir das folhas basais e queda de folhagem. Quando em estado avançado a raiz é atingida apresentando uma podridão mole e enegrecida de odor desagradável. Em solos altamente infestados com o plantio feito em covas, não se isenta a possibilidade do fungo atacar a plantinha logo após a germinação, haja vista que os sintomas aparecem entre 20 e 50 dias depois desta. Essa doença é de rápida evolução e quando incide na cultura, provoca danos severíssimos, chegando ao ponto de dizimar todo um mandiocal. Chuvas em abundância e altas temperaturas, são os principais fatores climáticos envolvidos na incidência da moléstia, uma vez que o patógeno da podridão-radicular é ávido por água (umidade) para sobreviver. O tipo de solo é fator preponderante para uma boa ou má resposta da cultura em termos de produção em relação à doença. Quanto mais argiloso for o solo, mais umidade ele retém, em conseqüência um alto índice de danos ocorrerá, principalmente se a variedade cultivada for suscetível. Em solos arenosos ocorre o imerso, mesmo que a variedade seja suscetível o índice de danos é quase sempre baixo. No controle da doença, se faz necessário a aplicação de práticas culturais e o emprego de variedades resistentes. Recomenda-se para os solos argilosos o cultivo em leirões altos e de boa percolação, abolindo-se as covas, e o emprego das variedades tolerantes cedinha e osso-duro.
Mancha-parda (Cercospora hermingsii, Allesch) - A ocorrência desta doença não tem fronteira de municípios no Estado, mas onde a umidade relativa é alta como na região de Agreste e Curimataú (60 a 95% U. R.) e temperaturas em torno de 28 a 35°C a incidência é maior, não se encontrando uma planta que não esteja atacada, os sintomas da doença são caracterizados pelo aparecimento de manchas em ambos os lados das folhas. Na face superior da folha as manchas são de cor marrom uniforme cercadas por um bordo distinto e claro. Com o progresso da doença, as folhas infectadas tornam-se amarelas, secam e caem. O controle da doença pode ser feito diminuindo a densidade de plantio no sentido de reduzir o excesso de umidade dentro da cultura. Uma das indicações da pesquisa no controle é aplicar um fungicida à base de cobre.
Mancha-branca (Cercospora caribaea) - As lesões características da mancha branca são pequenas, circulares ou angulares, brancas ou raramente amareladas. Não se sabe até o presente, os danos em termos de podridão de raízes que essas duas doenças podem provocar, haja vista que nas nossas condições ora ocorrem isoladas ora associadas. Sabe-se que a planta perde uma área foliar muito representativa para a realização da fotossíntese o que poderá ter influência negativa na produção.
Antracnose (Colletotrichum manihotis) - A enfermidade aparece depois dos meses de maior precipitação; caracteriza-se pela presença de manchas foliares localizadas nas bordas dos lóbulos das folhas jovens. Os talos também podem ser atacados sendo que os mais jovens murcham e os mais melhores apresentam cancros. Na parte central das lesões pode-se observar uma coloração rosa, causada pelos corpos de frutificação do fungo. Um broto atacado severamente geralmente maior apresentando morte descendente. Como método de controle deverá ser feito o plantio com estacas sadias. Um outro método de controle indicado é a aplicação de fungicidas à base de cobre.
COLHEITA
A colheita se constitui na operação mais trabalhosa e onerosa, sendo que o tipo e a umidade do solo, distribuição e profundidade das raízes, ramificação da cultivar e infestação de plantas daninhas são fatores que podem dificultar esta operação.
A decisão de iniciar a colheita e a opção por onde começa-la dependem de fatores de ordem técnica, ambiental e econômica.
Fatores de ordem técnica: ciclo precoce, semiprecoce tardia.
Ocorrências observadas ao longo do ciclo de cada cultivar.
Sistema de plantio;
Fatores de ordem ambiental - condições de solo e clima; grau de infestação de plantas invasoras;
Fatores de ordem econômica: mercados e preços dos produtos; disponibilidade de mão-de-obra e recursos de apoio; compromissos.
A colheita da mandioca é uma operação realizada manualmente em quase todos os plantios. Há, assim, a tradição da prática, facilitada pelos plantios efetuados em grande maioria, em pequenas áreas.
Colheita manual: Nos solos leves, as plantas são arrancadas com facilidade, puxando-as pela base e sacudindo-as várias vezes com o objetivo de retirar o excesso de terra aderido às raízes; em solos compactos, principalmente quando a umidade é pouca, usa-se a enxada para retirar um pouco da terra ao redor da planta, antes de puxá-la. Examinando-se a maniva-mãe deduz-se se há ou não ausência de raízes ou se houve quebra de algumas delas; se isso aconteceu deve-se resolver a cova para retirá-las. Um homem pode colher de 800 a 1000 kg de raízes por dia.
Colheita semimecanizada: É usada, sobretudo, em solos arenosos sendo necessária a poda das ramas a uma altura aproximada de 30 cm, manualmente. Posteriormente, são utilizadas as arrancadeiras acopladas ao hidráulico do trator. O sulcador à tração animal ou motora e também utilizada entre as linhas de plantio, devendo esse sulcador possuir asas grandes e penetrar no solo cerca de 20 cm de profundidade. As demais operações, como complementação do arranque, destaque das raízes das cepas e a amontoa das raízes são feitas manualmente.
Colheita motomecanizada: Na colheita mecânica da mandioca são usados vários implementos, tais como arados de aiveca, sulcadores e colhedeiras motomecanizadas. Para ser efetuada a colheita mecânica as manivas devem ser plantadas em camalhões. É necessário também que se faça poda da parte aérea, para que o trator possa caminhar entre os leirões. É imprescindível que, entre a colheita e a industrialização não decorram mais de 24 horas, pois caso contrário, inicia-se a processo de decomposição das raízes.
USOS
A mandioca tem grande número de usos correntes e potenciais, que pode ser classificado, em função do tipo de raiz, em duas grandes categorias: a)mandioca de mesa, b)mandioca industrial.
A mandioca de mesa ou macaxeira é usada na alimentação humana, principalmente nas camadas mais pobres da população. É consumida cozinhada ou frita.
A mandioca industrial é usada na fabricação de farinha, de fécula, beiju, goma, mistura para pão de queijo, tapioca, farinha panificável.
A partir da folha da mandioca são elaborados diversos pratos culinários como a maniçoba.
A folha de mandioca desidratada (farinha, folha de mandioca) adequadamente processada tem sido utilizada em programas de combate à fome e desnutrição no Brasil, adicionada em pequenas quantidades a outros produtos, como a "multimistura", atentando-se para a qualidade total ingerida pelos consumidores.
Recomenda-se o uso da parte aérea da mandioca, hastes e folhas, para a produção de feno e silagem para a alimentação animal. Das raízes pode ser feita a raspa de mandioca também utilizada na alimentação animal.
A comercialização da mandioca de mesa normalmente é efetuada nas feiras livres ou supermercados, (in natura). Atualmente já se encontra em supermercados mandioca de mesa pré-cosida e congelada.
A mandioca normalmente quando não é absorvida pelo produtor na fabricação de farinha, beijus ela é vendida ao intermediário, que por sua vez repassa esse material para casas de farinha ou para fábricas de fécula, onde depois de beneficiadas são colocados à venda no comércio. Atualmente uma das melhores opções para a mandioca é a fabricação da farinha panificável que já está sendo misturado a farinha de trigo para a produção de pães.
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