Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba

Preservação ambiental de espécies nativas, em áreas indígenas

Como parte das metas preconizadas no Projeto ESPÉCIES NATIVAS COM POTENCIAL DE USO: UMA PROPOSTA DE PRESERVAÇÃO PARA COMUNIDADE INDÍGENA JACARÉ DE SÃO DOMINGOS – Marcação-PB. Convênio BNB/FUNDECI/EMEPA nº 062, coordenado pelo pesquisador Ivaldo Antonio Araújo, realizou-se nos dias 23, 24 e 25 de fevereiro de 2008 na Aldeia Marcação de São Domingos para um publico de 30 empreendedores familiares (índios) o curso de Preservação Ambiental e Manejo das Frutíferas Nativas.

O referido curso foi ministrado pela pesquisadora Ivonete Berto Menino que faz parte da execução do projeto.

O objetivo dessa ação, é a capacitação da comunidade indígena sobre a importância e preservação dos recursos naturais, cujas reservas florestais faz parte da mata atlântica e está a cada dia, sendo dizimada, uma vez que na comunidade o corte das essências florestais existentes, à exemplo de Sucupira, jatobá, guabiroba, barbatimão, jenipapo, pau d’arco, mangaba dentre outras, é constante, e se destina ao fabrico do carvão, o qual afirmam ser um meio de vida para sua sobrevivência. Outra fonte de renda é a exploração extrativista da mangabeira, sendo esta exploração bastante predatória, pela forma de extração dos frutos e falta de manejo. Segundo informações obtidas “in loco” a exploração da mangaba acontece durante quase todo ano, onde as famílias que se destinam a catação do fruto, retiram na faixa de 35 caixas (com peso médio de 20kg/caixa) de mangabas semanais, para o fortalecimento dessa atividade foi ministrado pelo pesquisador Ivaldo Antonio de Araújo o manejo dessa frutífera nativa.

A comunidade indígena marcação de são domingos ocupa uma área 5.032 ha e faz parte do município de Marcação antigo distrito de Rio Tinto, cuja homologação se deu em 1993 aí, residem 108 famílias, com uma média familiar de quatro a seis filhos por familia, existindo familias com treze filhos. Sua descendência faz parte da nação Potiguara, onde aida hoje, cultuam diversas crenças, atividades e danças, tais como coco de roda, ciranda, toré e artezanato de palha.

A área da comunidade Marcação de São Domingos é cortada por dois importantes rios tributários do rio mamanguape, o grupiúna e o jacaré de são domingos, o qual margeia a comunidade. Na formação desses dois rios, encontramos cinco nascentes as quais precisam ser preservadas, bem como recuperadas e mantidas a sua mata ciliar. Hoje, o habitat Potiguar se encontra reduzidíssimo e muito desgastado em conseqüência das constantes queimadas, derrubada da Mata Atlântica e da poluição de rios. No rio grupiúna ainda encontramos trechos da vegetação remanescente como o coco dendê e gulandim como os índios chamam a essa essência, que servem para manter e conservar as minas de água, o rio ainda apresenta boa vazão e largura com trechos de aproximadamente 2 m. Já o rio jacaré de são domingos, que margeia a aldeia, encontra-se sem mata ciliar e com um filete de água de aproximadamente cinqüenta centímetros, necessitando portanto, de trabalhos de recomposição da vegetação. A área de reserva e seu entorno é considerada de extrema importância para a conservação desse ecossistema.

O relevo da Reserva Indígena é plano nas áreas de tabuleiro, porém, com composições da paisagem das formas de relevo ondulado a forte ondulado. Os solos são profundos e antigos, se prestando para aproveitamento agrícola intensivo, além dos solos Neossolos Flúvicos de grande potencial que ocorre na margem dos rios. O clima predominante é o tropical úmido. A temperatura máxima é de 38º C e a mínima de 18º C, com precipitações médias anuais em torno de 1.562 mm daí a predominância da cobertura vegetal ser florestas, ou seja, resquícios de Mata Atlântica.

Segundo o coordenador do projeto, além dessas ações estão previstas a recomposição do rio jacaré de são domingos em trechos da mata ciliar e nascentes, orientações técnicas, disciplinamento para exploração da cultura da mangaba e recuperação de áreas degradadas com implantação de módulos agrícolas com frutíferas nativas a exemplo da mangaba e araça.

DOCUMENTÁRIO FOTOGRÁFICO



Fig. 1 Comunidade indígena Jacaré de são Domingos, observa-se ainda Resquícios da mata atlântica.



Fig. 2 Comunidade indígena Jacaré de são Domingos, rio Grupiúna, com resquícios de mata ciliar, vazão constante e perene, largura de aproximadamente 2m.



Fig. 3 Comunidade indígena Jacaré de são Domingos, rio jacaré de são domingos, sem mata ciliar observa-se a diminuição do rio em largura e profundidade, que segundo a comunidade a dezessete anos atrás, possuía uma largura de 15m.



Fig. 4 Comunidade indígena Jacaré de são Domingos, essência denominada pelos índios de gulandim, ocorrência próxima ao rio Grupiúna, e tem a propriedade de manter as minas d’agua.



Fig. 5 Familia da comunidade indígena



Fig.6 Participação de membro da comunidade (índio) na identificação e caracterização das áreas.



Fig.7 Participante do curso de Preservação Ambiental e Manejo das Frutíferas Nativas na comunidade indígena jacaré de são domingos.



Fig.8 Atividade carvoeira, testemunho da devastação ambiental na comunidade indígena.



Fig.9 Espontaneamente a mangabeira vegeta com todo vigor nas áreas da comunidade indígena.


11-03-2008

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