Apesar dos avanços tecnológicos e da pesquisa agropecuária nos últimos 15 anos, não há muito a comemorar neste dia 15 de abril alusivo à conservação do solo, notadamente no Estado da Paraíba, onde foi desenvolvido apenas um programa de ações de governo visando à conservação do solo, iniciado em 1994, denominado Programa Base Zero, que teve curta duração.
Na Paraíba os maiores riscos de desertificação ocorrem na região semi-árida, aonde a utilização irracional do solo e da vegetação vem propiciando a intensificação do processo erosivo, agravado pelas características climáticas (grande potencial erosivo e má distribuição da chuva, altas temperaturas e ventos secos) que aceleram a degradação do ambiente. Cerca de 27.750 Km² (49,2% da área do Estado) apresentam riscos elevados e muito elevados de erosão abrangendo 68 municípios, sendo que as zonas mais expostas a maiores riscos de erosão situam-se no embasamento cristalino do Pré-cambiano, onde os solos são rasos ou pouco profundos, pouco permeáveis, bastante instáveis e o relevo é côncavo-convexo ondulado, com declividade médias a fortes e muito fortes (Chaves, 1986).
No Brasil, o cenário não é muito diferente, pois se estima que haja mais de 200 milhões de solo degradado. A metodologia de recuperação dessas áreas utiliza plantas que se associam com microorganismos, bactérias e fungos micorrízicos do próprio solo. As plantas associadas aos microorganismos têm a capacidade de se estabelecerem e se desenvolverem em áreas onde a matéria orgânica do solo é escassa. Essa questão já vem sendo estudada pela EMBRAPA.
Nos tabuleiros costeiros do Nordeste brasileiro faltam informações sistematizadas sobre a qualidade do solo, indispensáveis ao manejo das condições de produção sob o conceito de sustentabilidade. Estes e outros problemas tais como salinização, toxidez causada por alumínio, manejo inadequado da irrigação, utilização indevida de pesticidas e indefinição de método para detectar precocemente os sistemas de exploração agrícola que tendem a degradar o solo, são temas de pesquisas em andamento.
A programação de pesquisa agropecuária da EMBRAPA tem desenvolvido projetos e estudos básicos consubstanciados no Manual de Métodos de Análise de Solos, no Programa de Avaliação da Qualidade de Laboratórios de Fertilidade, no Programa de Transferência de Tecnologia, que atende a mais de 100 laboratórios no país, no Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (última versão lançada em 2006), que só se tornaram possíveis graças ao esforço de gerações de cientistas que estabeleceram procedimentos metodológicos adequados às condições dos solos tropicais.
A EMBRAPA e as Organizações Estaduais de Pesquisa Agropecuárias (OEPA´ s), entre elas a EMEPA-PB, juntamente com as Universidades, foram fundamentais nesse processo e até hoje aperfeiçoam os estudos.
De acordo com a visão do projeto de avaliação mundial da degradação do solo, Global Assessment of Soil Degradation – GLSOD, pertencente ao Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas e que foi implementado pelo Centro Internacional de Informação e Referência de Solos (ISRIC), na Holanda, são os seguintes os fatores de degradação do solo:
Considerando tais fatores de degradação, o superpastejo é responsável por 34,5% das áreas mundiais degradadas, seguido de desmatamento (29,4%), atividades agrícolas (28,1%), exploração intensiva da vegetação para fins domésticos (6,8%) e atividades industriais ou bioindustriais (1,2%).
Em contraponto aos avanços alcançados no meio científico e tecnológico, apresenta-se o desconhecimento ou a não utilização de práticas conservacionistas no manejo de solos agrícolas na maioria dos sistemas de produção, especialmente na região Nordeste.
Em termos de atividades agrícolas, o desmatamento tampouco a pecuária não podem ser responsabilizados como importantes fontes exclusivas de degradação. A falta de recursos financeiros para aquisição de insumos, a ausência de planejamento a médio e longo prazos e a maior pressão pelo uso do solo aliado à demanda de alimentos, podem ser considerados fatores decisivos para o estabelecimento desse cenário. Outro aspecto refere-se à dificuldade de diagnosticar o processo de degradação.
A erosão superficial ou a redução drástica do nível de fertilidade do solo muitas vezes passam despercebidas pelos agricultores, que não intervêm no momento certo e somente o fazem quando o processo de degradação encontra-se adiantado. E, o que é pior, em regiões onde a pressão pelo uso da terra não é grande, o agricultor não intervém, deixando que o processo de regeneração ocorra naturalmente, e parte para a exploração de outra área.
Diante de tais considerações a respeito da conservação do solo, pode-se concluir que: